sábado, 23 de abril de 2016

FÁBIO (O PROFESSOR) XAVIER

SE O P&P FOSSE UM X-BLOG (X-MEN) FÁBIO XAVIER SERIA O NOSSO PROFESSOR. DEMASIADAMENTE HUMANO, EM SENTIDO BENÉVOLO, O FILHO DE DONA NETE, COMPANHEIRO DE MÁRCIA E PAI DE GABRIEL É UMA REFERÊNCIA DOS BONS COSTUMES. SUA VIVÊNCIA NO ESQUEITE FOI BEM INTENSA E REVESTIDA DE MANOBRAS AFOITAS. CHEGOU A COMERCIALIZAR PEÇAS DO “CARRINHO”. VENDIA PARA OS QUE NÃO TINHAM CONDIÇÕES DE PAGAR, “CHECHO” NA CERTA. INCLINADO AS LETRAS E TECNOLOGIAS, EM XAVIER HÁ TENDÊNCIAS VANGUARDISTAS, NATURAL DO ESQUEITE. SIMPLES E TÍMIDO EM SUA MODESTA, ELE NÃO ACEITA TAL HONRARIA. PORÉM O P&P IGNORA ISSO E SE DERRAMA EM GRATIDÃO E HOMENAGEM A QUEM LHE OFERTOU A DECÊNCIA. PARA VOCÊS, FÁBIO XAVIER.

P&P - Na autoridade de um dos idealizadores, que “lombra” é essa de Sessão Geriátrica de Skate.
A ideia, junto com Henrique, Magui e Lau, é justamente resgatar o pessoal que andava nas antigas em Casa Amarela. Ampliaram essa ideia e chamaram os que andavam nos “Correios”. Andar de skate de forma descontraída, na ideia da diversão e confraternização, sem necessidade de manobras mirabolantes.

P&P  - Você passou um tempo afastado do Esqueite, fisicamente, por quê?
Aproximadamente há sete anos eu tive um problema na perna. O médico me informou que foi por conta de muito impacto. Fiz tratamento, tomei remédio e melhorei. Mas por causa de faculdade e trabalho, me afastei realmente do skate, apenas fisicamente.

P&P - Quando e como o Esqueite invadiu a sua vida?
Começou em 1989. A gente já sabia que tinha pessoas que andavam na frente do Bompreço de Casa Amarela e na escola Dom Vital. Então eu e mais duas pessoas lá de Nova Descoberta, geralmente o iniciante compra o skate mais vagabundo que encontra, e fomos lá em Casa Amarela. Pulamos o muro da escola, sem se apresentar ou pedi permissão, e invadimos o pico dos caras, Batman, Masao e Anderson, (risos) que ficaram assustados (risos). Fomos meio que ignorados e ficamos no cantinho. Depois tudo se normalizou.

P&P - Qual foi o instante em que o “Carrinho Viciante” se fez mais presente?
Eu nunca tive um skate muito forte, sei de meus limites técnicos. Acho que metade dos anos 90 quando andávamos em Casa Forte e Casa Amarela. O meu skate era mais fluído.

P&P - Quem contribuiu para o seu Esqueite?
Minha primeira influência foi Batman. O primeiro que chegou na gente, que dava os toques das manobras; pronto, aprendi a dá boardslide com ele. Masao também a gente admirava seus ollies, muito poderoso e perfeito. Também tinha o Alonsinho que andava bem. Patrício contribuiu com a logística e informações, isso nos “Correios”.

P&P - Fábio, para o público do P&P, fale sobre as marcas das antigas.
Naquela época era tudo complicado de se ter acesso. Então lembro que utilizávamos tênis Mad Rats, shapes da Life Style, todo mundo queria ter. Ficava esperando que Patrício e Marcelo trouxessem de São Paulo assim. Era uma guerra pegar um shape daquele. Depois Thronn montou uma loja que trazia também materiais. Tinha outras marcas como a Fly Walk, Alva, Onda, Maha, Cush, H-Street, Prolife, Big Job. Truck H-521 era o top. Rolamentos NHBB, Singapore, NSK e bilha. Rodas eram Narina, Moska e Domínio, entre outras marcas não lembradas. Aqui houve uma tentativa de se fazer shape, era o Eca. E nos vídeos, a gente esperava os japoneses receberem do Japão os VHSs. Eles eram boa gente, emprestavam para reprodução. Com os vídeos facilitava a visão do skate nos Estados Unidos na época.

P&P - Mito ou verdade: houve uma pista de partins, ná década de 80, em Casa Forte onde vocês invadiam para andar; procede que no final dos 80 você já andava no Parque Santana, descasca esse abacaxi.
Procede. Era a Rock’s. Eu tive o conhecimento dela nos anos 90. Descobrimos a pistas que estava abandonada. Tinha umas transições e um delta para dá ollies. E no Parque Santana também é correto. Não tinha essa estrutura de hoje. Era uma área como se fosse um estacionamento. O que fazíamos? Trazíamos umas rampas de madeira de Casa Amarela (Alto Santa Isabel) para o Santana, em cima do skate ou num ombro mesmo (risos). Tinha um trilho também. Andávamos à tarde toda e na hora de ir embora… metade sumia para não levar as rampas (risos). Apesar do sacrifício era bem divertida época de saltar a jump. Exatamente neste período houve uma tentativa de fazer uma mini rampa na casa de Sérgio, morador de Casa Forte. Chegou até ser construída um esqueleto dela que era  um misto de mini rampa com half (risos)

P&P - Xavier, notória contribuição você prestou e ainda presta à “Tábua Com Rodas”, mesmo tendo prejuízo. Cabe filantropia no Esqueite.
Acho que cabe. A maioria tem esse sentimento de compartilhar mesmo. Hoje se compartilha foto e vídeos pela internet. Naquela época ofertávamos shapes usados, tênis também assim, lanche e até ajudar na passagem para ir a Boa Viagem; sempre rolava isso assim.

P&P - Leitor de gibi e íntimo das tecnologias, isso há muito tempo. Para um menino de periferia não é enxerimento não.
Não. Desde pequeno eu fui aberto para as novidades, graças a meu tio. Eu lia gibis e revistas de esportes. Houve uma, que nem sei como conseguir, tinha umas fotos de uns caras andando de banks no Rio de janeiro, dai surgiu a curiosidade por skate. Isso é típico do skatista procurar novidades, procurar se informar das coisas.

P&P - Com seus irmãos (Nando e Beto) você ensaiava os passos e ia ao baile. Fábio ainda dança.
(Risos e risos) Não. Mas eu tenho essa fase aí dos bailes funk. A gente se subdivia em andar de skate, primeiro contato com a música punk, mas o baile do sábado era sagrado. Era o que o adolescente do meu bairro frequentava né. Na verdade eu participava desses dois grupos aí, skate e dança.

P&P - Saudades de Beto.
Apesar de não ter um relacionamento muito próximo né, nos últimos anos. Mas foi arrancado da vida de forma muito bruta. Lembro de bons momentos assim. Até no skate, apesar dele não andar, todo mundo conhecia ele, participava dos eventos com a gente. Teve uma história muito engraçada quando a gente foi a um campeonato profissional, na Bahia, ele foi a viagem inteira, no ônibus, perturbando Felipe (risos). Era uma pessoa muito engraçada, todo mundo gostava dele nesse sentido. Não só pra mim como para as pessoas que o conhecia, faz falta e saudades.

P&P - Você ia escutar RAP, quando pouco se falava, na loja de Thronn que tinha acesso a novidades na música.
Isso, isso. Meu primeiro contato com o RAP foi através de Masao que me emprestou algumas fitas k7 do Public Enemy e Run DMC. Depois eu fiz contato com Thronn e, realmente, peguei muita coisa de RAP com ele.

P&P - Formado em Tecnologias em Sistema para Internet pela UFPE, passou em alguns concursos, servidor público federal, via de regra o esqueitista estuda.
Estuda (risos). A maioria tem isso em mente, é preciso estudar. Até quando vai andar você aprende um pouco de inglês com os nomes das manobras, indiretamente. E ir atrás das coisas, naturalmente, acaba tendo aquele sentimento de que tem que estudar pra ter um emprego razoável. Manter o seu esporte, comprar suas peças, bancar viagens com o fruto de seu estudo. No skate há pessoas que têm mestrado, doutorado e fazendo pós-doutorado, fazendo trabalho de pesquisa em cima do tema Skate. E isso acaba influenciando outras pessoas também.

P&P - Fábio, para concluir, dê uma ternurinha para o leitor do P&P e obrigado por tudo.
Queria dizer que continue andando e principalmente se divertindo, acho que o espirito do skate é esse. Claro que tem aquele pessoal que almeja mais né. Uma melhor técnica, aprimorar as manobras, participar de campeonatos até se transformar em profissional, respeito isso também. O espirito e a base é a diversão e confraternização. Você encontrar os amigos e boas sessions de skate 

O Pico da Sagrada foi palco de grandes e divertidas sessões nos 90... Fabio e Anderson pulando João Carlos "Pig"

Rua da Sagrada em Casa Forte - Ollie ao lado do amigo Anderson "Gago"

Em 1989 a gente já sabia que tinha pessoas que andavam na frente do Bompreço de Casa Amarela... Fábio admirando o Airwalk do amigo Japonês Masao Irié na Jump.


"Meu primeiro contato com o RAP foi através de Masao que me emprestou algumas fitas k7 do Public Enemy e Run DMC. "



Professor Xavier em ação 
"No skate há pessoas que têm mestrado, doutorado e fazendo pós-doutorado, fazendo trabalho de pesquisa em cima do tema Skate. E isso acaba influenciando outras pessoas também."

Alguns sessões de skate são únicas... O rolé no Full Pipe de Apipucos em 2008 durou apenas duas sessões. 

Varial Tailgrab
"continue andando e principalmente se divertindo, acho que o espirito do skate é esse"

 As amizades do skate atravessam décadas

Boneless sempre será uma manobra admirada pelos skatistas... O reverendo Lau resolveu admirar o boneless de Fábio bem de perto. 

Seja de Front ou de Back, Fábio mostra que o Grind continua no pé

           Nas sessões matinais de domingo...  Layback no Parque Santana.                                                

Frontside Boneless no snack do Parque Santana

Melon nas transições do Parque Caiara

44 anos depois do nascimento e Fábio ainda continua andando nos trilhos

Fábio é um dos idealizadores da Sessão Geriátrica 
"Andar de skate de forma descontraída, na ideia da diversão e confraternização"

6 comentários:

  1. Para este ser Fábio é crucial influência dentro e fora do Esqueite. Um misto de inteligência, modesta e decência esse é Fábio. Sou todo gratidão pelo Esqueite ter me ofertado Fábio Xavier!!!

    Lau

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  2. Feliz Aniversário grande Fabio Xavier, já disse várias vezes e repito, você é uma das grandes influencias e referencias pra minha vida, todo mundo precisa de um professor, eu tive a sorte de ter o Professor Xavier... Parabéns e continue sendo esse "exemplo" (As aspas são só pra descontar a mensagem do meu aniversário Hehehehehe)

    Ass: Henrique HC

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  3. Tenho muito orgulho de vocês.
    Ass. Braulio.

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  4. Júlio "Gringo"25 de abril de 2016 15:03

    Massa! Homenagem merecidíssima ao nosso ilustre irmão Fabio Xavier! Nosso super herói da família skateboard! Parabéns Picos & Pistas Skate pela iniciativa! Parabéns prof Xavier!!! Que tenhamos muitos e muitos anos de alegrias e skate todos juntos! Amo essa família!

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  5. Poxa que legal. Gostei bela história e filosofia de vida . Não evoluir muito pois comecei muito tarde anda de skate . Mais o pouco que aprendi foi me divertindo. Skate for fun. Abraços hc belo trabalho

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  6. Me emocionei bastante lendo esta matéria, pois vivenciei bons momentos andando de skate com a galera de Casa Amarela e com a chegada do Professor e seus asseclas de Nova Descoberta, a equipe ficou completa, foram muitas aventuras, muitas sessions, viagens, lembrei até de uma que fizemos eu e o Professor para um campeonato em Natal e ficamos hospedados na casa de Alex Kidd, que deveria iniciar uma Sessão Geriátrica com os skatistas aposentados e ainda mais perigosos de Natal. E compartilho totalmente com a mensagem do nosso Professor. "O espírito do skate é a diversão"

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