sexta-feira, 4 de março de 2016

MORCEGÃO, O SÍNDICO DOS “CORREIOS”


1 – Com estilo leve e ágil de manobras vanguardistas, Morcegão fazia muitos sentarem para apreciar o seu skate. Você tinha ciência que estava a influenciar?
De forma alguma! Eu ali no skate, minha maior alegria, era fazer aquilo que mais gostava, sem o impedimento de ninguém. Aquilo (“Correios”) era o meu ponto de lazer. Eu saía de minha casa,  vivia fechado dentro de um apartamento, e ia pra o meu parquinho encontrar meus amigos, esperava dá meio dia para ver todo mundo. Eu acho que, se diziam que naquela época eu andava bem, andava bem porque gostava de andar. Não me sentia obrigado a andar pra ninguém, ali eu encontrei amigos, aprendi o que era rua, fui educado em monte de coisas ali na rua.

2 – Os “Correios” era uma extensão de seu apartamento? (Morcegão morava no edf. Duarte Coelho – onde fica o cinema São Luiz)
Porra, sem dúvida nenhuma! Os “Correios”, as pontes, estação de ferro (leia-se metrô) lá do Recife quando começou, o IEP, wallride da CTU, Receita Federal. O centro era o meu parquinho.

3 – Quando e como o “Carrinho” chegou até você?
Por um binóculo (risos). A princípio foi assim, tinha um amigo meu que possuía um Nakano Bandeirante e que tinha um suporte de patinete. Eu comprei dele que não sabia andar. Comprei uma lixa de ferro 80, colei no bicho e comecei a andar. Plantava bananeira, fazia umas coisas, tudo na calçada da Rua da Aurora, no prédio onde eu morava (edf. Duarte Coelho – Cinema São Luiz). Em um determinado dia, lá de cima do apartamento, eu comecei a vê umas pessoas se movimentando rapidinho assim. Peguei um binóculo, olhei pro lado dos “Correios” pra ver o que era aquilo, isso eu com meus 14 a 16 anos. Skate era uma coisa fininha. As pessoas que encontrei, já manjando lá, assim, tinha uma noção bacana de andar de skate, pra mim era o dez né. Foi Júlio Marques, Marcelo eu conheci depois, Wilson… Catombo. Fui lá vê qual era, curioso, conversar com a turma. Falaram que o skate não era mais aquilo que eu usava; fui providenciar compra um skate, melhorzinho. Não tinha onde comprar de jeito nenhum. Pra se ter uma ideia, uns três a quatro anos depois, eu conversando com Ed Mota, Sidney, ele falou pra mim “bicho, tem um skate assim…”então eu convenci a minha tia a comprar um skate, no Bompreço da Caxangá, era um ProLife, todo papagaiado. Comecei a anda com aquilo. Ed Mota chegou assim e me fez uma pergunta clássica: “meu irmão, tu é prego é?” (risos)E eu sabia que porra era prego (risos)… devo ser (risos). Ai a galera começou a me ensinar as coisas. Aos poucos fui conhecendo Catombo, Abimael, Bruno, essa turma todinha, tinha muita gente.

4 – Qual foi o skatista que você observou andando e disse “quero andar assim”?
Aqui ou fora? Rodney Mullen. O cara é o “bilola jones”, o cara é demais. Quando eu vi ele andar, o jeito dele andar, a sequência de manobras, entendeu, e não fazer uma manobra e parar. Por isso quando encontro com Maury, fico feliz da vida, como eu ficava feliz quando via Falcon em João Pessoa.

5 – Quem eram as suas companhias nas sessions?Nos “Correios” meus primeiros parceirinhos, assim, foram esses que citei né. Depois de um tempo de andar, foram várias fases, cada fase houve uma turma que colou mais em mim. Pra viajar era Og de Souza, vivia comigo, íamos pra tudo que era estado. Com Patrício eu andava nos “Correios” depois fui bater no IPSEP. Andei muito com Sidnei (Ed Mota) e Og. Antes eu andava com Marcelo Agra, Duda (Eduardo Trindade) e Catombo, Abi, Gabiru, Luis Tattoo... Tinha muita gente, velho. Era essa galera que começou a andar junta. Depois eu comecei a andar com Jadson (Skate Or Die), Ricardo Aladim, Veronildo (Guerreiro) e seu boneless – achava o máximo. Tinha os bairros que a gente começou a descobri. Casa Amarela era Yuji, Masao, Cokeia, Andrey, Macaquinho, João Caveira com quem a gente foi pra UR-7 Várzea (Ladeira da Morte). 

6 – Morcegão viajava para andar em alhures?
Viajei muito. Já fui pra Bahia, Aracaju pra competir. Nunca fui pra passear... descobrir quem anda de skate, assim. Eu já sabia pra onde iria, entende, não ficava procurando pico; nunca fui com esse intuito, nunca tive essa sorte. Todas as minhas idas eram porque tinha o conhecimento antes da existência do campeonato seja por telefone, seja por fanzines que tinha naquela época. Já competir aqui no NE em Aracaju, Bahia, Natal, em João Pessoa, em Alagoas, só, que eu me lembre.

7 – Você lembra de ter montado um skate e pensou “esse tá muito massa”. Quais foram as marcas das peças, lembra?
Lembro, lembro. Teve muitos. Tinha material nacional que a gente cobiçava e tinha material gringo que a gente cobiçava também. Os gringos eu só consegui através de Flávio Manequim, pedia e ele trazia. Nacional tinha shape que não era legal, o model não era legal de andar. Mas tinha porque a gente queria ter o model daquele atleta de tal lugar, tipo Thronn, tipo Fernandinho Batman, as estampas (tinha os dragões, as mãos cruzadas de Thoronn). Agora as peças que eu tive sempre, na minha cabeça, assim, NT Bones rodas, os trucks Indys sempre, até eu descobri o Gullwing Street Shedow, Super Pro 2, Super Pro 3, até hoje eu tenho um Gullwing.  Shapes os nacionais esses que falei e um gringo Caballero, shapes Sims que a gente queria, Santa Cruz da mãozinha. Mas a gente não queria o shape por que ele tinha o ... praticamente todos eles tinham as mesmas coisas. Os primeiros que cheguei a vê de nose, com o concave mais... foram os nacionais. Eu não cheguei a vê os gringos assim.

8 – Você por morar no centro do Recife foi um dos pioneiros a andar de skate na madrugada. Como eram essas noitadas de skate?
Sempre! Bom demais. Não tinha sol né. A gente virava à noite aqui. Dessa galera tinha muita gente. Esse menino (Patrício) vinha, Jadson, Ricardo (Ricardo até hoje... eu me lembro de detalhes de cada um, ele tinha uns slides, vinha de longe rasgando assim... não tinha igual pra mim). Andar com a galera e terminar com uma sessão de slide. Veronildo, Ed Mota de vez em quando vinham. Marcelo com a Agrale, Patrício com o 147, Duda com a Brasília  e eu com fusca, era tudo assim.

9 – Morcegão era uma das referências de qualidade dos “Correios” e meio que de repente, sumiu do cenário. O que lhe fez para de andar de skate?
Vamos tocar no momento delicado. Enquanto eu tava andando por prazer, enquanto eu andava pra me diverti, enquanto aquilo era interessante pra mim, sempre foi gratificante, era como se eu tivesse uma segunda alma, andar de skate. Era muito difícil consegui material de skate. Ninguém falava em patrocínio... Marcelo teve umas matérias na Revista Overal, aí ele já tinha patrocínio, recebia essas coisas. Aqui ninguém tinha patrocínio. Aos poucos Marcelo foi me apresentando a algumas pessoas e em minhas viagens fui conhecendo outras. Em cada canto o pessoal me apresentava as pessoas da Opeque, da Momento Angular, a não sei quem da Fruto Verde. Essas pessoas não davam patrocínio pra gente, mas eles ajudavam. Quando eu ligava e dizia assim “ô estou precisando disso, disso e disso”, na expectativa de pode ser que eu ganhe. Então às vezes eu ganhava. Quando eu ganhava, aquilo era muito gratificante, não era por questão de dinheiro, sabe, uma coisa legal. Aí você começa a viajar. O pessoal diz a você “eu preciso que você vá para tal canto”, aí você vai,  ta num lugar e quer voltar pra casa e não pode. Você estuda, eu tinha as minhas coisas, eu já trabalhava também. Acabou ficando uma coisa sem graça, entendeu. Aquilo pra mim era legal, ficou meio que uma obrigação. Eu não queria mais isso. Então comecei a me afastar desse negócio e andava como me dava na telha, pra ninguém ficar me cobrando nada. Deixei pra lá. Pra mim era bom receber as coisas. Pedia um sapato, mandavam um saco de sapatos. Você num ficava feliz? Claro que sim. Lembra da Overdose? Comecei a vender uns materiais de skate assim... tinha muita coisa que a gente dava também. Os “Correios” já não era como antes. As pessoas já não mais andavam como antes. Só tinha pra mim a mini ramp de BV. Tem muita gente que anda aqui e não tem dinheiro pra comprar um shape. Tem Tizil , por exemplo, que mora qui né (Pista da Aurora). A galera não tem grana e o “Bicho” anda e deve ser incentivado.

10 – Eu (Patrício) comparecia, no final dos oitenta,  em seu apartamento e presencie você junto com Veronildo (Guerreiro) gravando uma fita cassete como se DJ fosse. Dentre as músicas estava Thayde e DJ Hun. Quais foram as outras e o que Morcegão escuta hoje?
Pra andar de skate mesmo, principalmente em pista, sempre foi Thaíde, a batida de Thaíde. Mas de vez em quando pro showzinho. Era o que rolava, Cambio Negro, Vulcana, mais banda punk mesmo. Ia pra Rio Doce também pra vê bandas de rock da galera daqui, local. Ratos, essas coisas que a gente escutava. Ah! Suicidal Tendencies e Garotos Podres, bandas punks de skate né. Escuto muita música pesada. Mas a gente vai ficando velho, descobre as mulheres, vai descobrindo umas músicas que não tem nada haver, vai escutando MPB... hoje escuto tudo.

11 – Quando nos “Correios” você mostrava personalidade e opinião fortes. Hoje Gáudio continua contestador ou se apresenta mais moderado?
Eu não gosto de injustiça, de jeito nenhum. Se eu ver uma injustiça perto de mim, se eu ver alguém tratando mal outro alguém... acho todo mundo igual, do mais simples ao mais abonado, de mais sorte ou de menos sorte. Todo mundo é igual. Não é por que você tem dinheiro e não sabe andar de skate é melhor do que o cara que não tem dinheiro e também não sabe andar. E teve uma época aqui que realmente teve umas coisas esquisitinhas e eu fiquei meio chateado né. Mas aí a galera... meu encontro com a galera fez superar, minha educação maior de rua  foi com essa galera. Era gente de todo bairro e cultura diferente. Tinha uns caras que vinham com uns skates gringos e não andavam porra nenhuma, ficavam só de treta e tal. Eu sempre criei briga com todo mundo, né, arengueiro, chato. Mas quando você faz amizade, velho, fudeu, você vai levar pra sempre. A maior felicidade desse encontro (Sessão Geriátrica de skate) foi encontrar todo mundo.

12–Gáudio Jorge Costa anda em sintonia com a natureza e o atual cenário político do Brasil, são suas causas atuais?
Não! Minhas causas são outras. Tudo bem eu gosto de natureza. Gosto muito de mergulhar, caçar, tenho licença para isso e tudo. Quando você vai ficando velho  aprende a perceber que coisas que lhe cercam e que você não dá valor. Desde das pessoas, lugares, ambientes diferentes. De repente você acha que aquele lugar nunca vai freqüentar, mesmo assim vai e dá certo pra você, então se apaixona... acontece uma coisa nova. Quanto essa questão de política, não tem nem o que discuti... essa seboseira que tá aí não dá. E eu sou muito radical contra isso, não vou falar sobre isso. O pessoal passando fome no interior e os outros tomando proveito dessas coisas, não gosto de injustiça. Minha causa é respeitar todo mundo, fazer amizade, não discutir, não gosto de confusão. Gosto de ser amigo de todo mundo e ser simpático com todo mundo.

13 – Recetemente você foi homenagiado na Sessão Geriátrica de Skate. O que você acha desse evento onde os mais experientes são contemplados?
Assim, não falo da homenagem, falo do encontro Geriátrico; homenagem, eu sim... não me acho porra nenhuma. O maior presente é o encontro com a galera. Só em saber que estou aqui em frente de Patrício, onde eu iria ta em frente a Patrício?  Onde eu iria encontrar todo mundo? Lobão, Abi, Josa, Masao que foi pro Japão, Jadson, Veronildo, Og e um monte de outras pessoas. Só de reencontrar essa galera, véio, pra mim foi muito bacana. E ainda to meio exigente, tá gostoso, tá bom, mas eu quero que venha mais gente. Franja cadê que não vejo. Tem muita gente que quero ver, Casquilho, Ed Mota... queria conversar, fofocar, lembranças das merdas que a gente aprontava. Sou grato pra caralho. Isso tudo surgiu no posto (gasolina) de perto de minha casa. Estava lá e apareceu Henrique e Ricardo (Ricardinho) com a camisa Picos e Pistas com uns negócios de skate. Olhei  de longe assim... aí eu  falei algumas coisas com eles. “Porra, vocês andam de skate? tal num sei o quê”. Eles falaram que andavam. Falei valeu também andei de skate  muito tempo e tal. Na hora que a gente tava se cumprimentando pra ir embora, eu falei “prazer o meu nome é Gáudio, mas a galera me conhecia por “MORCEGÃO””. Aí fudeu (risos e risos), Henrique não me soltou: “mas, mas perai... tu é Morcegão que andava assim, assim...” –sou , sou. Ai começou a contar a  história. Imagina eu  voltar a andar, a gente encontrar os amigos de escola é uma felicidade da porra toda, imagina seus “Brou” do skate! E tá todo mundo junto andando de novo.

14 – Para findar essa nossa conversa, Morcegão, deixa um aviso para os leitores do P&P e desde já lhe convido para chegar lá em Caruaru. Obrigado pela atenção e consideração dispensadas.
É assim, quanto a galera do P&P eles merecem um respeito maior do que eles dão pra gente. Pelo fato do que eles fizeram, os meninos, que do nada, resolveram juntar todo mundo né; pra mim é bom demais. Outra coisa é quanto a respeito dessa história de skate... o pessoal tira essa ilusão de que ah! Quero andar de skate pra me profissionalizar, ah! quero andar de skate pra isso como se fosse a salvação da alma dele. Skate não é igreja universal não, minha gente! Andar de skate por prazer, por que gosta, vai rir, vai cair. Eu to velho pra carai, mal consigo respirar e to feliz da vida porque estou com a galera. Imagina um guri curtindo a sensação de acertar uma manobra e ao mesmo tempo ter os amigos pra cumprimentar. Escutar aquele “YEAH”, aquele yeah é foda... yeah na alma. É o reconhecimento dos amigos, “é foda, o bicho acertou”. Uma coisa que eu vejo hoje, acompanhando o P&P, é o empenho dos meninos. Hoje eu descobri pistas aqui em Recife que eu nem sabia que existia. Vejo Henrique falando com político, falando no jornal,  o lado de lutar; as ferramentas são outras. A galera é mais empenhada.


Morcegão feliz da vida por poder acompanhar a evolução do skate pernambucano, na rua e no seu camarote particular. (Vista do edf. Duarte Coelho – onde fica o cinema São Luiz)


As famosas transições Correios, que deram base para andar em todas as outras.


Backside Rockslide na borda dos Correios, arrancando na saída.


Além do gênio forte, Morcegão também era conhecido nos Correios, pelos Big Ollie

 Ricardo Rico, Veronildo, Jadson, Morcegão e Familia durante o Bloco Carnavalesco "Rola cachaça e come o que acha"

"O centro era o meu parquinho"... Frontside Fifty Fifty

Foto publicada na coluna Vida Urbana do Diario de Pernambuco em 10 de fevereiro de 1992.

"A gente virava à noite aqui (Correios). Dessa galera tinha muita gente. Esse menino (Patrício) vinha, Jadson, Ricardo (Ricardo até hoje... eu me lembro de detalhes de cada um, ele tinha uns slides, vinha de longe rasgando assim... não tinha igual pra mim). "

Os amigos de Casa Amarela que o skate lhe apresentou...Masao, Yuji, Macaquinho, Andrey e Dennys Punk


"Os “Correios” já não era como antes. As pessoas já não mais andavam como antes. Só tinha pra mim a mini ramp de BV. "

Grind no Banks do skatepark da Caxangá


"Hoje eu descobri pistas aqui em Recife que eu nem sabia que existia."


O maior presente da (SGS) é o encontro com a galera. Só em saber que estou aqui em frente de Patrício, onde eu iria ta em frente a Patrício?  Onde eu iria encontrar todo mundo? Lobão, Abi, Josa, Masao que foi pro Japão, Jadson, Veronildo, Og e um monte de outras pessoas

Quem é rei, nunca perde a majestade... Frontside No Comply Reverse

6 comentários:

  1. Parabéns O Skate Nordestino por relembrar e rever nossa história esqueitavel dos anos antigos, saudações ao ilustre Morcegão...

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  2. Puts, tó sem palavras pra essa homenagem que vocês fizeram pra Morcegão! Tipo, to sem palavras mais acho que tem uma frase que serve pra todos nois. ´´Mantenha o próprio sonho vivo, não engaje no sonho dos outros`` - Mike Vallely

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  3. Conheci Morcegão, graças ao acaso; Fui tomar uma cerveja num Posto de gasolina e terminei conhecendo um dos skatistas que mais ouvia falar nos anos 90, que o cara era foda nos correios no final dos anos 80, tinha ollie alto, muita base e nenhuma papa-na-língua, falava o que achava certo... Muito foda, CONHECER a história do skate pernambucano da melhor forma possível, pela boca de quem realmente viveu e fez parte dela.
    Tenho que comentar, algumas entrevista publicadas no blog são tão fodas que mereciam SER publicadas em revistas, pois são verdadeiros registros de uma época.

    ASS: Henrique HC

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  4. Do tempo de Sérgio China muito bom grande morcegão skate my life.

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  5. Massa! Ótima matéria! Muito bom esse resgate da história do skate pernambucano. Nos palavras descritas aqui vc vê o verdadeiro "sentimento skate for fun" de quem sabe o que é andar de skate, de dar valor aos momentos e as amizades. Skate é isso. Skateterno!!!

    Ass Flávio Coringa

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  6. Morcegão era a tradução de manobras modernas e rápidas, estilo admirável e criatividade ativa no andar de Esqueite. Grande quadro do Esqueite pernambucano, reverenciamos.

    LAU

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