Lisa Florencio – 17 anos de idade e três e meio de skate
P&P - Quando, onde e como foi seu primeiro
contato com skate ?
Lysa - Em 2013, eu e uma amiga pegamos emprestado o skate de
um primo dela, ele não usava muito e deixou o skate com a gente por um tempo,
então começamos a andar aqui no nosso bairro, revezando o mesmo skate e cada
uma andando um pouco.
(Foto: Ellyn Farias)
P&P - Como
foi a reação dos seus pais quando lhe viram saindo de casa com o skate?
Lysa - No
começo minha mãe não gostou muito da ideia, apesar de ter sido ela quem me
ajudou a comprar o meu primeiro skate. A gente brigou muito para que eu
continuasse a andar, mas com o tempo ela foi ficando de boa e hoje em dia ela
me apoia sempre.
P&P – Ainda existe muito preconceito contras as meninas dentro do
universo do skate?
Lysa – Sempre tem um ou outro que critica o rolê de qualquer menina,
fala que é fraco, que não evolui. Mas, quando eu comecei a andar, recebi mais
apoio do que esse tipo de preconceito, a galera sempre tentava me incentivar e
me ajudar com manobras novas.
P&P - Nome forte do Skate Feminino?
Lysa - Pamela Rosa... Ela tem um
rolê muito forte e mesmo sendo nova, já tá andando muito e correndo com as
minas das antigas nos campeonatos.
P&P - Como está à cena do skate feminino em Caruaru?
Lysa – Está cada vez
crescendo mais, antigamente eram poucas meninas representando o skate feminino
daqui. Mas ultimamente estão aparecendo muitas meninas instigadas, que andam
quase todo dia e que estão se garantindo com um rolê massa.
P&P - Se pudesse mudar algo
no skate feminino daqui do nosso estado, o que mudaria ?
Lysa - Mudaria o modo
como algumas meninas veem os campeonatos, algumas preferem não participar por
medo de passar vergonha, mas todo campeonato é só mais um meio de incentivar
elas a evoluírem, além de mostrar um pouco do rolê delas, por isso, é sempre
bom participar.
Fernanda Landim – 26 anos de idade e mais ou menos três anos de skate.
P&P - Quando, onde e como foi seu primeiro
contato com skate?
Nanda – Eu sempre gostei de ler sobre isso, de ver vídeos e
manobras de todas as modalidades, até por causa das bandas que escutei durante
a minha adolescência, e escuto até hoje. Tive o meu primeiro contato com o
skateboard MESMO há pelo menos três anos, quando comprei um mini-cruiser na
Centauro. Até aí só fazia passeiozinho (cruinsing). Só comecei a andar em
skatepark e aprender manobras depois que comprei o meu skate atual, e saí
trocando peças e experimentando configurações.
P&P - Como
foi a reação dos seus pais quando lhe viram saindo de casa com o skate?
Nanda -
A principio acharam que era besteira, só para passeio mesmo. Até que eu comecei
a acordar cedo, todos os fins de semana e feriados, para ir andar na pista do
Parque Santana, hahaha. Aí eles viram que eu não ia deixar esse “hobby” pra lá.
E isso já faz uns dois anos.
P&P - Nome forte do Skate Feminino?
Nanda – Eu tenho acompanhado alguns
nomes, principalmente nacionais, e curto muito o estilo da Yndiara Asp,
skatista brasileira das modalidades Bowl e Banks.
P&P – Ainda existe muito preconceito contras as meninas dentro do
universo do skate?
Nanda – Eu não sei explicar, mas ainda rola sim. Tanto com as skatistas
locais quanto com as mais famosas. Basta ler comentários e coisas nas redes
sociais e fanpages. E também em alguns campeonatos, que sequer tem categoria
feminina. Deeve existir alguma razão “logística” pra isso... Sei lá.
P&P – O que falta e o que sobra no skate feminino de PE?
Nanda – Faltam campeonatos, best tricks e eventos promovidos pelas
marcas e lojas, para as meninas poderem mostrar o que sabem, também sinto falta
de ver a presença feminina nos rolês de transição... Sobra gente querendo o seu
próprio espaço para crescer e viver de skate, em um cenário bastante
desfavorável
P&P – Onde o skate vai te levar?
Nanda – Eu não tenho aspiração por
competir, ganhar patrocínios, ou viver disso. O skate já me deu vários amigos,
ideias, conversas legais e meu mais recente projeto: O Ornitorrinco Atômico. Eu
sempre gostei de trabalhar com vídeo e edição, e unir isso com skate deu uma
força pra eu tirar a ideia do papel.
Ewellyn Farias - 19 anos de idade e 3 de skate.
P&P - Quando, onde e como foi seu primeiro
contato com skate ?
Ellyn – Meu primeiro
contato com o skate foi no quintal da minha casa, quando meu irmão chegou com
um skate bem surrado e a gente ficou brincando de “mandar manobra” na época.
P&P - Como
foi a reação dos seus pais quando lhe viram saindo de casa com o skate?
Ellyn
- Foi meio complicada... Minha família
não é a maior fã do esporte e sabem que é de certa forma, perigoso, então ver a
filha mais nova deles saindo pra andar de skate no meio da rua, foi um choque.
(Foto: Lysa Florencio)
P&P – O que falta e o que sobra no skate feminino de Caruaru?
Ellyn – Falta incentivo as meninas para competir e sobra criatividade
para improvisar picos novos, caruaru tá bem representado, agora tem bastante
menina andando e evoluindo a cada rolê.
P&P - Nome forte do Skate Feminino?
Ellyn – Mari Duran, Lacey Baker e Gabi Mazetto são minhas favoritas.
P&P – Ainda existe muito preconceito contras as meninas dentro do
universo do skate?
Ellyn – Infelizmente existe sim, e onde eu vejo isso ficar
bem claro, são nos campeonatos. A galera sempre subestima a gente pelo fato de
ser menina e consequentemente não põe uma premiação tão boa quanto à dos
meninos.
P&P – Se pudesse mudar algo no skate feminino, o que mudaria?
Ellyn – Acho que a união entre as
meninas que não tá tão forte ainda.
Fernanda “Fêêh” – 19 anos de idade e 2 de skate.
P&P – Onde começou a andar e porque escolheu
a modalidade vertical?
Fêêh – No Parque Santana, porque é a pista mais próxima da minha casa. E
escolhi andar de vertical, por sentir mais facilidade nos quarters e
transições, pelo modelo de pista que é o Parque Santana, mas foco no geral,
pois quero andar em várias pistas ainda e me divertir em todas ela.
P&P - Como foi à
reação dos seus pais quando lhe viram saindo de casa com o skate?
Fêêh – Não foram muito de me apoiar,
mas como eu não parava de andar acabaram se acostumando com a ideia do
skate.
P&P – O que falta e o que sobra no skate feminino de PE?
Fêêh –
Falta apoio para categoria feminina, não temos nenhuma atleta com apoio de
marcas ou lojas de skate em Recife. Faltam mais eventos e participação de
atletas... Sobram garotas querendo aprender a andar de skate, todas as pistas
que eu ando sempre encontro alguma garota andando também. Precisamos de mais
atenção com o skate feminino.
P&P - Nome forte do Skate Feminino?
Fêêh – Karen Jones
P&P – Ainda existe muito preconceito contras as meninas dentro do
universo do skate?
Fêêh – Não comigo, sempre tem pessoas querendo me ajudar nos rolês.
P&P – Onde o skate vai ter levar?
Fêêh –. Vai me levar longe, trazer
amizades e alegria por toda minha vida.
Fotos: Patrício King Dub, Henrique HC, Felipe Silveira, Raul Neto, Lysa Florencio, Ellyn Farias